Imprensa ignora depoimento de testemunhas

Nas páginas do UOL, vários internautas oferecem seus relatos sobre o acidente com o Airbus da Tam. Repete-se, em vários depoimentos, uma informação relevante: o avião aparentemente chegou voando à avenida Washington Luís.
 
Toda a cobertura televisiva, entretanto, insiste em oferecer um veredito final sobre a causa do acidente: a falta das tais ranhuras na pista. A escolha precipitada da razão parece atender ao interesse imediato de culpar o Governo Federal pela tragédia.
 
Causa espécie a insistência nessa hipótese, apresentada como uma espécie de parecer técnico definitivo sobre o acidente.
 
Os âncoras dos telejornais têm insistido na teoria, procurando, nervosamente, a confirmação de algum técnico em aviação.
 
Foi o que ocorreu, por exemplo, nesta quinta-feira, durante o Jornal Hoje, da Rede Globo de Televisão. O apresentador Evaritos Costa seguiu o roteiro de imputação prévia de responsabilidades, mas não obteve a anuência do professor Moacyr Duarte, da Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia (Coppe) da UFRJ. Duarte descartou a tese “ranhura” como causa principal do acidente.
 
Como muitos outros profissionais de comunicação, Alon Feuerwerker utilizou inúmeras vezes o Aeroporto de Congonhas. Em seu blog, ele questiona inteligentemente a tese reinante da “derrapagem”. E pergunta:
 
O avião da TAM cruzou a avenida derrapando, brecando, arrastando-se? Ou atravessou voando? Se ele voava é porque tentou arremeter. Mas se tentou arremeter é porque tinha velocidade para tal. Agora, como é que um avião em (relativa) baixa velocidade, derrapando, todo torto, aquaplanando, tenta aremeter? Mas se ele não tinha arremetido, como é que ele chegou voando ao prédio da TAM?
 
Parece evidente que a pista estava escorregadia. No entanto, cedendo à tentação de encontrar respostas rápidas a problemas complexos, a imprensa já elegeu uma causa e um culpado. E é sempre o mesmo.
 
Veja depoimentos de testemunhas, publicados no UOL 
 
Testemunhas contam o que, de fato, ocorreu com o avião da TAM
 
“Nunca imaginei que iria ver algo tão horrível na minha vida… Eu vi o acidente de coisa de 10 metros. Estava de carro na avenida com minhas amigas, quando eu vi o avião passando pela gente, até falei nossa como tá baixo, mas foi só o tempo de ver o avião passando reto e se chocar no galpão da TAM. Fiquei paralisada, muita gente correndo, o pessoal saltando do onibus, todo mundo chorando… Acho que estou aqui por milagre.”

Roseli Souza, São Paulo
 
“Eu estava passando de carro na hora, e o avião passou por cima de alguns carros. Deu para ver a cena completa, foi muito tumulto na pista. Vários carros freiando rápido, e o carro em que eu estava quase bateu em outros. O avião veio de lado com rodas travadas mais ele deu um pulo na avenida e foi direto pro galpão e aconteceu a batida e começou a pegar fogo rapidamente.”

Thiago Brito, Itaperuna (RJ)
 
“Meu pai trabalha próximo ao Aeroporto. Ele viu o momento do acidente. Segundo meu pai, o avião subiu até uma certa altura e desceu novamente, deslizando na pista e batendo no hangar.”

Bruna, São Paulo

Fonte: Lista Credibilidade etica por e-mail credibilidadeeetica@gmail.com

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